Tuesday, June 06, 2006

Valor e Custo - Jingles e Spots

Aí nós saímos daquele papo pseudo-cabeça de Marisa Monte e afins para falar de grana. Aliás, assunto bom é assim: interessa logo a todo mundo.

Bem, o Bravo tem a sorte de trabalhar com ótimos parceiros, mas isso não é uma realidade que todos possam curtir, tampouco significa que não sofremos até chegar aqui. Optamos por uma política de preços que foge do tradicional "abrir as pernas" que tanto afunda o mercado. Também procuramos fugir da outra tradicional política "O mundo é meu umbigo", que tanto infla o tal mercado.

O que estou querendo dizer é que, depois de tanto tempo dentro da faculdade, observando o mercado de camarote - mas sem as vantagens de quem está jogando, em campo - nós pudemos observar como funciona essa selva: ou você mata o bicho ou ele te engole. Lamento dizer que, nesse ponto, falta um pouco de sadismo aos produtores do mercado fonográfico publicitário. Ou se usa chumbo grosso, cobrnado R$300,00 num jingle e matando logo a selva inteira - inclusive quem atirou -, ou procura-se diferenciar dos outros cobrando os olhos da cara, naquela idéia de que "se eu cobro caro, é porque o meu é melhor.

Cá pra nós, sabemos que o que difere um jingle bom de um jingle ruim é o conhecimento de quem cria e de quem produz, além de bons músicos. Isso, sim, o conhecimento da criação à escolha dos músicos e da gravação, é que tem valor alto. Apertar botão, todo mundo sabe. Se tiver um manual do lado, basta ler e saber onde plugar microfones e apertar o "REC" na hora certa.

Mas eu falei em "valor" aí em cima. Jingles e Spots são imponderáveis. Qual o preço de um jingle? Qual o de um spot? Você pode fazer um excelente material gastando R$200,00. Você pode precisar de R$5.000,00 para fazer outro. Não há preço para isso. R$200,00 ou R$5.000,00 são CUSTO. Sabemos o que é valor agregado. O grande ponto é: nós, produtores de áudio publicitário e criadores de jingle, precisamos usar o bom-senso e ter noção do quanto cobrar pelo material. Os contratantes (agências, etc.) e, principalmente, os clientes, também precisam ter noção de que, por trás de cada fonograma daqueles, existem empresas que remuneram seus sócios (ou alguém vai ser hipócrita e dizer que empresas não foram feitas para dar lucro?); pesquisas, estudos, habilidades, "feeling", experiência, inteligência.

Quanto custa um minuto de inteligência e experiência? Quanto custa um minuto de harmonias e melodias criadas? Tudo isto tem valor. É bom que nossos clientes saibam. Mas é bom que nós também saibamos e paremos de cobrar "preço de custo" para ganhar cliente. Cliente que paga "preço de custo" a você hoje, na próxima semana vai pagar um "preço de custo" mais baixo na próxima esquina. Ele perde com isso. Nós perdemos. O mercado publicitário baiano é quem mais perde.