Monday, May 22, 2006

Marisa Monte - Infinito Particular

Ainda não ouvi o trabalho. Então, na verdade, o título é apenas um gancho para um texto que dirijo, na verdade, às bandas e músicos de Salvador.

Marisa Monte é, para mim, um grande exemplo de Artista. Sim, com letra maiúscula, porque nem todos o são. Nem todos têm o poder de gerir a própria música e a própria carreira com uma competência tão particular. Marisa Monte é uma artista de palco, mas, não obstante, sabe, como poucos, chefiar a produção dos seus álbuns. Quero apenas ouvir o do título do post, apenas para confirmar isso.

Marisa Monte não vai ao Faustão - e não é que "não ir ao Faustão" tem o peso de um ato heróico e purista. É por uma questão de princípios: não critico, aqui, também, quem vai. Mas ela sabe o que precisa para fazer o som dela. Precisa de músicos que o programa dominical não paga. Marisa Monte não faz som de auditório, e sabe disso. Mostrar o show dela em um lugar que não fosse um teatro ou um espaço próprio para shows seria, na verdade, não mostrar o trabalho dela.

Saber o que se quer fazer, musicalmente. Marisa sabe. Saber o que é o próprio som, o que já passou e onde pode inovar. Marisa sabe. Saber o que é necessário para que as pessoas ouçam, na platéia, o que se faz no palco, além de não ter preguiça de buscar essa informação: Marisa sabe.

Assim como Marisa Monte, há vários exemplos, no Brasil e fora dele. Ivan Lins; Zizi Possi; Dave Matthews Band; Lenine; Robbie Williams. Para quem reclamar, dizendo que "ah, mas essa galera tem dinheiro saindo pelo ladrão!", respondo que a Carmesins, com R$880,00 gravou um disco de 11 faixas, muito bem gravado, em um estúdio com deficiências normais, mas com material humano e equipamentos excelentes.

E quem vier me dizer que R$880,00 ainda é caro por um álbum, eu respondo que, pelo amor de Chico Buarque, Eric Clapton, Ozzy Ousborne e seja lá mais quem for, estamos em um país capitalista. Não queiram nada de graça. Para se ter qualidade, é necessário um mínimo de investimento!

Portanto, pessoal, mãos à obra. Para quem quer ter uma banda com um som de qualidade, comece a pesquisar o que você quer, saiba exatamente de onde está partindo e o que lhe falta. Tracem metas. Mas não saiam fazendo som irresponsável por aí. Isso dói nos ouvidos da gente.

8 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Oi vi pelo orkut o link para o blog de vocês. Simplismente interessante! Há pontos a serem realmente lembrados quando se trata de música. A música popular brasileira, hoje, é totalmente carnal, baixa e feita apenas para vendagem. O apelo passou de seus limites e houve um absurdo decréscimo de qualidade em todos os sentidos. Sinto falta de musicalidade e do sentimento poético.
Parabéns para as críticas construtivas.

4:39 PM

 
Blogger Marcelo Rios said...

De fato, Marcela, o apelo passou, sim, de seus limites e, agora, � entrar no processo inverso, que, inevitavelmente, ocorre aos poucos.

Cabe aos m�sicos essa invers�o, uma vez que, em temos de produ��es independentes um pouco mais acess�veis, n�s temos um controle um pouco maior sobre o que produzimos, embora precisemos, sempre, manter o bom-senso e saber pedir ajuda sobre o que ignoramos, al�m de saber escolher de onde vem essa ajuda. A compet�ncia est� � frente!

Um prazer imenso ter voc� por aqui! Um abra�o!

5:26 AM

 
Anonymous Anonymous said...

Me perdoe pelo anonimato, mas é um direito meu.
Muita coragem sua colocar a mão no fogo por Marisa Monte sem ao menos ouvir o disco. Mas foi um golpe de sorte. O disco é realmente muito bom.
Não vou dizer que qualquer coisa que Marisa Monte faça é bom, porque Tribalistas foi um belo investimento monetário que atraiu rios de dinheiros para 3 bons artistas poderem patrocinar os seus egos particulares.
Agora quanto à fazer som irresponsável, acho que música tem que ser feita do jeito que a pessoa quer fazer.
É impossível animar um churrasco na laje de um subúrbio colocando qualquer coisa que não seja pagode. É idéia!
Só o que não dá certo é querer fazer diferente pra não fazer igual (entendeu? Em vez de "fazer isso", o cara simplesmente evita de todo modo "fazer aquilo"). Tem que fazer fazendo, como diz Jorge Ben, sem se preocupar com nada. Fazer o que gosta de ouvir, e não ficar evitando a todo custo o que não gosta de ouvir ou o que vão achar de você.
Às vezes Marisa Monte fica fugindo de fazer certas coisas, aí a música soa forçada.

12:31 PM

 
Anonymous Anonymous said...

Na verdade, Anonimo. Acredito que Marcelo não defendeu não ir ao Faustão ou coisa do tipo. Ele defendeu o que você fala: Cada qual no seu cada qual e cada um no seu cada um. Não queira tocar musica classica em cima de um trio (claro que experimentações são validas) sem adaptar para aquela realidade simplesmente para ganhar dinheiro. O problema está na "prostituição". Inclusive que gerou uma crise na Banda Scambo (não sei detalhes, mas dizem, que era questão de Grana mesmo).

Em suma, não vá fazer playback de seu som que precisa ser acustico só para ganhar dinheiro, existem os meios que seu som deve ser propagado. Seja na Concha, seja no teatro, seja na Favela , no Rock in Rio (do Aeroclube mesmo) ou no Faustão. Leve seu som para onde ele deva ser tocado com a cara dele.
Não com uma cara gorda.
Abraços.

7:57 PM

 
Anonymous Anonymous said...

Menininho.

Concordo com você.
Em tudo.

Beijos.

8:23 AM

 
Blogger Marcelo Rios said...

Uau...
:|

Bom, a Terra � a morada das opini�es. No entanto, continuo sustentando o que disse.

Mas, para n�o fugir � regra, tenho que ser justo: Tribalistas foi um trabalho feito para ser ca�a-n�queis e infla-egos - e isso, creio, � algo quase que sacramentado por todos. E, exatamente por isso, os tr�s mosqueteirozinhos que o gravaram n�o fizeram qualquer show do disco: n�o cabe. Para ser bem sincero, creio que teria sido um porre, um show daquele �lbum. Dizem as m�s l�nguas, at�, que foi comprado...

Tamb�m n�o fiz apologia a qualquer estilo musical que seja. Churrasco e pagod�o casam bem. Mas isso n�o significa dizer que o pagod�o tenha que ser, necessariamente, mal-tocado ou mal produzido. Al�m do mais, o pagode est� no meio pr�prio � sua difus�o. Que ningu�m queria tocar pagode no TCA, que a� j� vai ser esculhamba��o.

Para terminar, fazer som respons�vel n�o � fazer som como eu acho que ele deva soar aos meus ouvidos. � fazer som "do jeito que a pessoa quer fazer", mas tendo a preocupa��o de fazer o melhor poss�vel dentro da sua proposta. Os "Mamonas Assassinas" fizeram isso primorosamente. Supla tamb�m. Tom Jobim tamb�m.

E, finalmente, ainda n�o encontrei um trabalho de Marisa Monte que tenha soado for�ado. Precisamos separar o que se faz modismo e o que faz parte do modismo... O componente do modismo n�o � for�ado: apenas manifesta sua pr�pria natureza. O outro, ao contr�rio...

Al�m do mais, modismos s�o convencionais. Mas h� uma percep��o que indica quando a produ��o de um trabalho casa com o seu conceito ou n�o...

Um abra�o!
=]

10:21 AM

 
Anonymous Anonymous said...

O mesmo anônimo:
Colocações perfeitas!
Isso aqui foi uma questão que eu não tinha refletido antes: "Precisamos separar o que se faz modismo e o que faz parte do modismo...".
É verdade.
Mudei meu ponto de vista sobre certas coisas.
Quando vi os comentários seguintes ao meu percebi que qualquer tentativa coerência seria persistir num ponto de visto estreito.
Abraços

1:07 PM

 
Anonymous Anonymous said...

Grande opinião Marcelão!
Grande toque tb.

12:45 PM

 

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